Ecos soteropolitanos
Turista na capital baiana. Os pobrinhos vêm em bando distribuindo fitinhas do senhor do bonfim. Puro marketing. Querem mesmo é empurrar goela abaixo os badulaques que lhes garantem o abará do almoço. Isso até passaria se eles não tivessem o desagradável hábito de feder em público. Ou de expor sem constrangimento suas crianças magras, de olhos caídos e cheias de remela e coriza. Tentam ganhar a compaixão do desgraçado turista do sudeste cheio de dinheiro exibindo sua morte e vida Severina. Eu, sujeito extremamente bondoso, fiz o que devia ser feito: jogava um pirulitinho para a criança e lascava pontapés na mamãe. Como correm essas baianas pedintes, que fôlego e resistência! Só não entendo porque não trabalham. Deve haver alguma justificativa aceitável. Bem, sem essas pessoas o que seria dos escritores da geração 90?
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Vamos falar de algo mais interessante. O preço das doses de uísque nos estabelecimentos de Salvador compensava o assalto à mão armada que era o das cervejas. Era possível beber Black Label por módicos R$ 8,00. Aqui no Rio gira em torno de R$ 10. Dois reais valem um bom gole. Achei a dose do Red a R$ 6,00. Tem um lugar aqui no Rio a R$ 6,50, mas só conto para amigos muito próximos. Em casa de um amigo de meu pai, que já o havia acertadamente prevenido, fui mimado com um terço de uma garrafa de Black e uma garrafa de Balla 12 sobre a mesa, completamente virgem, me olhava preocupada. Tal Francis, também não me lembro de uísque que não fosse excelente.
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Comi, basicamente, acarajé. Muito ocupado bebendo. O melhor daquela praça é o da Dinda, no bairro Rio Vermelho. Tempero na medida, massa crocante e os maiores camarões da cidade, com o melhor bronzeado que o dendê permite. Até chegar na mordida, uma fila de INSS, mas compensa. Se você, caro leitor, detesta essas extravagâncias gastronômicas, me diz o Guia Quatro Rodas que há bons restaurantes espalhados na cidade. Mas isso é coisa para se fazer na Itália, França etc. Quem não suporta comida típica acaba comendo o quê?: massa, comida mexicana etc. Nossa eterna vontade de sermos estrangeiros, o que não pode ser visto como algo ruim. É melhor do que querer ser funcionário público do judiciário.
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Minha amada fez olhos azuis durante duas semanas ininterruptas, mesmo com chuva e céu nublado. E ainda me fez um cafuné inacreditável. Dormi que nem sonhei.
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