A marca humana
Deixei a armadura na porta. Caminhei em linha reta pelo caminho de azulejos opacos. Cadeiras de madeira enfileiradas me olhavam desconfiadas, indiferentes à cadência de meus desejos imperfeitos. Cálices, candelabros e uma vela solitária a rezar o último terço. Fios de luz de um sol cansado projetavam minha sombra sobre a imagem de deus. As poucas palavras que pronunciei caíram no chão abrindo um enorme buraco, do tamanho do meu vazio espiritual. Sete horas de silêncio e alguns passos até os degraus de fora. Recoloquei a armadura. A chuva sujava a cidade. O céu chorava pelo filho que, mais uma vez, decidiu não voltar pra casa.
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