Enquanto agonizo
O ano de 2003, apesar de tantas alegrias, vai terminar com um sabor amargo. Dois dos escritores de que eu mais gostava, Paulo Salles e Rafael Azevedo, resolveram ferir de morte as páginas que mantinham nesta teia cibernética. Não fizeram isso hoje, nem ontem. Esta tardia mensagem fúnebre era uma esperança vã de que pudessem voltar atrás. Nada feito.
Se há um sentimento difícil de assimilar é o da orfandade intelectual. Alguns podem achar um exagero de minha parte. Não é. Lia-os desde que compartilhamos por algumas semanas a mesma trincheira virtual. Depois, nas tribunas que escolheram para jogar pedras nas Genis: o Salles com seu humor grave; o Azevedo com sua virulência extrema.
Salles escreveu o melhor texto sobre Faulkner que eu já li. O Rafael me fez estudar história e dar um chute na minha preguiça por estudar outras línguas.
Eles encerraram seus trabalhos, mas o epitáfio de hoje é meu:
Aqui jaz uma mente ingênua.
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