Trainspotting, ou a última vez que falo deles com comiseração

Tenho horror a temas sociais e toda essa literatura Carandiru dos chamados jovens escritores. Asco, asco! E sabe que esses livros já vêm com o, digamos, odor da transpiração? O fato é que há um grupinho que acha bonito falar de marginais, na esperança de chocar o leitor, mas não podem ver um negrinho no ônibus que se borram; ou se ouvem um tiro são capazes de atravessar do Leblon ao Catete num só fôlego.

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Causa-me espécie blogs que se limitam a contar historinhas (“gente, hoje fui ao cinema”; “gente, hoje comprei verduras e alface fresquinhas”; “gente, minha unha está encravada”). São de uma inutilidade absurda, brutal. Deveriam ser circuncidados.

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Tenho lido muita gente na internet. A maioria não vale uma crase. Há muita boa vontade acompanhada de muita besteira e deslumbramento. Outro defeito é que alguns tentam elaborar uma escrita de internet e voltada para o próprio umbigo, geralmente sujo.

Além do mais, quem se limita à linguagem rápida, com abuso de links, não vira escritor. No máximo, um moto-boy na avenida Paulista.

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Li, infelizmente, bastante gente dessa nova geração e… O que dizer? O que me irrita — aí falo como leitor — é que o nível, em geral, é muito baixo. A escolha é pelo menos pior.

Realmente, não sei se se trata de geração ou de grupinhos que se reúnem num bar para fazer reunião de pauta. Reunião de pauta é o fim da picada.

O gosto dessa gente pelo indivíduo urbano, assalariado, que fuma, bebe, trepa (desculpem os palavrões) e tira meleca do nariz em público é de uma lástima sem precedentes.

O Rafael Lima, num texto inspiradíssimo, definiu de forma irrepreensível: essa turma quer escrever sobre a vida marginal sem sair de casa com medo da violência que eles adoram relatar. O sujeito tem que ser um masoquista inveterado para ler sobre marginais do beco das garrafas que gostam de fumar Continental.

Dos escritores realmente novos que li e que tem livro lançado — e que fique claro não pertencer às gerações citadas —, o Alexandre Soares Silva é a grande referência. Não é qualquer um que escreve de maneira elegante um parágrafo sobre anjos querendo sodomizar uma vaca ou que transforma com maestria uma criança, não inglesa, num detetive charmoso.

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Além do Alexandre, o Fábio Danesi Rossi será um grande escritor. Tem um livro de contos pronto para publicação. Nem precisam anotar o nome porque um dia vocês vão saber quem ele é e nunca mais o autor desta nota.

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