A máquina de Pimba!
Semana passada eu quase quase fiz um favor à humanidade. Eu iria aproveitar aquela babaquice de deixar um livro na rua para explodir maus leitores. Como se identifica os maus leitores? Simples: coloque um livro daquela lista óbvia de escritores ruins (os irmãos Campos, Nélida Piñon, Clara Avebôca, etc.) e quem pegar, pimba!, é o incréu que não deveria ter sido alfabetizado.
Mas eis o problema depois de pronto o artefato explosivo: com entrar num sebo para comprar o livro cuja capa maquiaria a traquinagem? Não, não, violão, o sujeito não pode, assim, lançar pela janela do ônibus sua reputação, mesmo que a causa seja boa. Pensei em pedir a algum conhecido, mas lembrei de que não tenho conhecidos aqui no Rio. E isso não é coisa que se peça a amigos. Eu já sonhava em ver matérias no jornal Nacional sobre funerais de “simples brasileiros, leitores, pessoas que queriam apenas ler e foram lançadas pelo ar”. Ou depoimentos dos que sobreviveram manetas, contando como “tudo escureceu” assim que abriram, sei lá, um livro de Glauco Mattoso.
Resolvi deixar pra lá. Mesmo com direito a cela especial, ser obrigado a tomar contato com um advogado, mesmo que fosse por telefone, me soava bem mais desagradável e deselegante (descobri dia desses que fiz cinco anos de direito para odiar essa turma com fundamento).
Posfácio do Prólogo
Eu só não entendo como uma pessoa pode pegar um livro de que gosta e deixar em algum lugar para que outra pessoa pegue. Eu não gosto de emprestar para quem não seja muito amigo, imaginem os outros. Mas aí me vem outra questão: será que quem se dispôs a deixar seu livro num canto qualquer escolheu um bom livro? Se fez isso, não merece a minha consideração, se deixou um livro ruim, deveria ser enquadrado na lei de crimes hediondos.
Porque, minhas senhoras e meus senhores, dar livro ruim é semelhante a maltratar animais, crianças, velhos e mulheres (alguns homens merecem).
A pena
Uma cela pequena, uma voz citando hai-cais no original e uma tevê, sem som, passando O Globo Repórter.
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