Archive for Agosto, 2003

A casa do pai Tomás (Eh! Eh!)

Injustiça

Desabou o palco do Municipal do Rio, enquanto ensaiavam alguma porcaria, dia desses. Pena que não foi com o Gerald Thomas em cima dele (Rafael Azevedo).

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Passado do pretérito

Havia um dia de descanso tranqüilo.

Havia um senhor de traços de fim de outono.

Havia uma senhora de cachecol protegendo as palavras presas na garganta.

Havia um farrapo pedindo esmolas.

Havia um mundo de cortesias.

Havia um mundo em que a mais bela frase era “May I?”.

Havia um mundo em que as pessoas respondiam com um sorriso.

Havia um mundo em que o futuro era coisa de cartomante; de gente que não batia bem da cachola.

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Augustus, Augustus!

“Quando comecei no jornalismo, eu queria escrever como os velhos. Olhava à minha volta no Correio da Manhã e via Otto Maria Carpeaux, Antonio Callado, José Lino Grünewald, Carlos Heitor Cony. Infelizmente, hoje as referências são outras. Não é porque o mundo mudou que a gente vai assaltar, seqüestrar. Há certos ideais dos quais não se pode abrir mão.” (Sérgio Augusto)

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De onde menos se espera é que não sai nada mesmo

Hoje é um dia especialmente ardido. A bile resolveu sapatear sobre a úlcera, coitada. A saliva desce como um rio de fogo e se concentra num estômago incandescente, diluindo acepipes da melhor espécie. É preciso fazer várias coisas inúteis, como trabalhar, mas só é possível pensar em como ainda sou capaz de sofrer. Não que eu goste, porque decididamente odeio momentos ruins e qualquer tipo de dificuldade. Há escolhas, porém, que não respeitam momentos. Uma professora, em Cambridge, disse que a pessoa à beira do choro está upset. Tente pronunciar, u-p-s-e-t, e chorar depois. É impossível.

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Requiém

Sempre admirei as pessoas que sabiam a hora certa de morrer.

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Vesgos

“Eu era do ‘Grupo Vertigem’, como um colega mais racionalista nos apelidou. Nossa revolução era poética, uma mistura de Rimbaud com Guevara; tínhamos o sonho de uma beleza que daria fim à “zorra” brasileira que analisávamos com horror; era uma esperança de sentido, um tempo futuro em que a feia confusão da vida se harmonizaria numa perfeição estética —isso mesmo — minha revolução era um anseio artístico.” (Arnaldo Jabor)

É bem possível que depois disso este manancial de boa vontade mude de nome. Catzo!

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By Appointment to Her Majesty

O que eu não daria, agora, por um Ballantine’s 12 years.

(Final: frutoso, ardência carinhosa e flanar admirável)

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Éramos sete

Muitas vezes, um sorriso numa mesa resume a intensa admiração e o prazer intelectual em ter os amigos reunidos, papeando frivolidades, como se nada mais importasse. O prazer de estar ali, compartilhando frases soltas, humor embriagado e degustando a maravilhosa sensação de que a civilização é algo que hoje se traduz em amizades sinceras e, claro, uísque escocês.

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O menu de Jeeves

Grilled cheese sandwich: delicioso sanduíche com dois queijos (cheddar e provolone). Igual ao que mamãe fazia, só que maior.

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Blue Label

Por entre olhares conhecidos e sorrisos estrangeiros, me esquivo a cada cumprimento compulsório. Há o abominável toque no ombro simulando intimidade e palavras que se perdem no céu da boca. As festas e as reuniões, que só fazem sentido porque no meio da multidão que gralha sem descanso, ela levita, encantadora, e o som da sua voz simula a melhor época de Maria Callas.

Homens e mulheres querem tudo, ao mesmo tempo, se puderem parcelar no cartão de crédito. Eu me contento com aquele amor que, simplesmente, como disse o Braga, fazia olhos azuis.

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