Um florete e nada mais

Nem sempre estamos preparados. Na maioria das vezes, pensamos que sim, acreditamos sinceramente que sim, mas é o engano disfarçado, que logo vai sorrir pela traquinagem.

Aqueles momentos finais de ansiedade, aquela mão invisível que aperta o pescoço, os ombros que despencam para frente, a coluna vertebral que tenta simular um ponto de interrogação.

Sim, podemos até sentir o cheiro do que está por vir, o odor de coisas inodoras, ou sentir que podemos acariciar aquilo que tanto se desejou. Os olhos dilatados festejam silenciosamente, pois já sabem, com aquela certeza inabalável dos tolos, que o caminho chegou ao fim.

Mas tudo aconteceu tão rápido, tão ligeiro, tão impiedoso, de uma cruel insensibilidade, que desrespeita o prazer da degustação prolongada.

Como pode um vinho durar apenas alguns goles; o beijo, breves duelos de línguas; a vida, algumas caneladas?

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