Ecos de uma entrevista
Bob, me assusta a garotada chefiando publicações. Quando comecei no jornalismo, há sete anos, sonhava em trabalhar com jornalistas mais experientes. O Sérgio Augusto disse numa entrevista há alguns anos que seu desejo quando começou no ofício era “escrever como os velhos (Otto Maria Carpeaux, Antonio Callado, José Lino Grünewald, Carlos Heitor Cony)” com quem ele convivia no Correio da Manhã. O que podemos esperar do jornalismo sem essa identificação?
Bob Fernandes: Caro, entendo sua pergunta e concordo, na essência do que você quer dizer, com ela. Mas o meu susto não é com a garotada - até porque pode ter, e tem, garotada muito boa. O meu susto é com a medianidade, para ser ameno, que assola as redações. É óbvio que redações que não tenham exemplos de grande talento, experiência, história, tendem a ser mais medíocres. Isso não é uma lei divina, não é inevitável, mas é o que temos visto. Não creio que redações devam viver de um dilema Parque dos Dinossauros x Fraldinhas. Acredito no talento e na mescla de experiência com sangue novo.
Se há quase uma unanimidade dos profissionais da imprensa quanto aos problemas da imprensa, por que o problema ainda existe?
Bob Fernandes: Porque na verdade essa unanimidade não existe e porque quem está mais interessado em discutir o assunto não tem, geralmente, espaço e poder para tanto. Onde, por exemplo, você tem visto na Grande Imprensa o debate sobre a quebradeira da Grande Imprensa, as alternativas, e o projeto para a comunicação eletrônica de massa que dorme nas gavetas em Brasília? Se não se discute isso, como é e com quem - com que sociedade - se vai discutir de verdade os problemas?
PS: Estas são as duas perguntas que fiz ontem ao jornalista Bob Fernandes, da Carta Capital, num chat do site Comunique-se.
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