A importância de ser… ah! vocês sabem.

Certo dia, ninando um mimo de oito anos, conversava com um amigo sobre a importância de ser Ernesto (earnest). Ele, embora desse a entender que concordava, assumiu o golpe do gole e disse candidamente ser a favor do corte de orelhas. “Como?” Sim, do corte de orelhas a mulheres com falso topete aristocrático. Daquele tipo que finge, da respiração ao banho com sais. Seria um símbolo, então, que divertiria meu amigo ao olhar faces sem orelhas. Tentei argumentar contra a travessura, mas ele passou a rir desatinado — confesso ter ficado com um certo receio de importuná-lo naquele momento sublime de maldade. Sem ver recuos no chiste, passei a compartilhar bizarrices, imaginando mutilações naquelas pessoas que vieram ao mundo para incomodar. “Fulano ficaria ótimo sem o dedo mindinho”; “Sicrano, só com o toquinho da perna esquerda, nunca mais chutaria gatos”; “Ah, Beltraninha da faculdade, que me trocou pelo automóvel do recém-formado, ficaria ótima sem a pontinha daquele nariz que causava fricotes”. Visivelmente inebriados no final da madrugada, adormecemos em sofás separados, cada qual empunhando fragilmente faquinhas decepadoras de queijos e pazinhas trituradoras de patê de fígado de ganso.

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