Scola de mulheres
“Nós que nos amávamos tanto”, de Ettore Scola, resume a que estamos limitados.
Os amigos, jovens, soldados na guerra durante a resistência italiana nos anos 40, amizade acima de tudo, nem o tempo nem as responsabilidades, acreditam, vão separá-los. Se reencontram anos depois, dois deles, o primeiro (Nino Manfredi) com uma namorada (Stefania Sandrelli). Apresenta-a ao amigo (Vittorio Gassmann) que, claro, mete a na mão na cumbuca alheia e a alheia cede de bom grado. Obviamente, os recentes ex-amigos saem no maior pau.
Anos depois, o amigo traído reencontra a dita. Sozinha de novo, ela se insinua com olhares. Ele a apresenta ao outro amigo (Stefano Satta Flores), professor e crítico de cinema. Andam pela madrugada. O cara cai na real e só não, como direi, molesta a mulher porque dá a entender ser um sujeito educado, o que não o impede de alguns impropérios. Bom, o amigo fez que foi com o primeiro amigo, voltou e acabou, igualmente metendo a mão na cumbuca alheia e a alheia, novamente, cedeu.
Os três amigos de dantes se separam. A mulher, como sempre, venceu a amizade. A culpa, claro, não pode ser creditada apenas na conta da tal. O homem, com essas facilidades, também passeia por várias mulheres sem a menor piedade. E se vira alvo, é capaz de chutar o traseiro do irmão para amassar lençóis com qualquer voluptuosa que lhe abale a carne.
Estamos sempre condenados à conquista e as fracassos da sedução. O sujeito mais amargo é o que perdeu a mulher, não o que dilacerou a fortuna.
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