Ho! Ho! Ho!

Caros,
este blogue dá uma parada até o dia 31. Compromissos familiares, profissionais e com o mestrado me impedem de manter o curso normal do blogue. No último dia do ano postarei aqui um texto que é um balanço sobre 2009 e a experiência de morar em Portugal.
Obrigado pelas visitas constantes ou irregulares, pelos comentários gentis, informativos, críticos. Um blogue se faz com essa conversação que procuro estabelecer e estimular.
Um abraço fraterno a cada um de vocês e um Feliz Natal.
Bruno Garschagen
Lisboa, 22 de dezembro de 2008.
4 commentsAtualização mais tarde
Caros, espero nesta madrugada conseguir atualizar as seções fixas de segunda e desta terça. Portem-se bem até minha volta.
No comments40 anos do AI-5 (5)

Para fechar feliz um dia de textos sobre o infame AI-5, um texto do Ruy Castro hoje na Folha que revela algo que eu não sabia: o lançamento em DVD do documentário “Caro Francis” (nos cinemas em 2009), de Nelson Hoineff:
O coração como arma
Ruy Castro
RIO DE JANEIRO - Na noite de 13 de dezembro de 1968, Paulo Francis tomou um avião em Nova York e mandou tocar para o Rio, onde morava. Enquanto ele lia Geoffrey Barraclough a 30 mil pés, os militares faziam horrores por aqui -fechado o Congresso e abolido o habeas corpus, estavam indo buscar em casa quem eles consideravam perigosos para o regime: políticos, editores, poetas, repórteres, caricaturistas.
Na manhã de 14, ao pousar no Galeão e aberta a porta do avião, Francis teria posto o pé na escadinha e, de nariz em pé, perguntado sorridente, para ninguém em particular: “E aí, como se comportou o Brasil na minha ausência?”. Em resposta, mãos truculentas o teriam algemado e levado preso para o quartel. Segundo outra versão, mais correta, Francis só foi preso no dia seguinte, 15, de pijama, em seu apartamento em Ipanema.
Hipótese também mais heróica, porque, já sabendo da prisão de tantos de seus amigos, poderia muito bem ter ido se esconder em um sítio na roça. Mas preferiu ficar e ver no que dava. Deu cana, da qual só foi libertado no Natal, por interferência de outro amigo, ligado ao general Sizeno Sarmento.
Eu próprio, julgando-me um alvo, também andei escondido por alguns dias. Mas saí da toca e estive com Francis logo depois que o soltaram. Perguntei-lhe: “Foi torturado?”. E ele: “Barbaramente. O carcereiro escutava Vandeca [a cantora Wanderléa] pelo radinho de pilha o dia inteiro”.
Por várias razões, é Francis que me vem à cabeça em todo aniversário do AI-5. Mas, desta vez, há mais um motivo: o belo documentário “Caro Francis”, que acaba de sair, produzido por Nelson Hoineff. É o retrato de um homem cuja principal arma retórica não era a inteligência, a mordacidade ou o destempero verbal, mas -agora ficou claro- o coração.
Segundo o perfil de Hoineff no Wikipédia, o filme “é sobre a vida, a veia transgressora e as polêmicas de Paulo Francis, um dos mais influentes jornalistas brasileiros do século 20. Caro Francis foi filmado no Rio de Janeiro, São Paulo e Nova York. No formato DVD, com 95 min de duração, foi lançado em 9 de dezembro de 2008, durante a entrega do Prêmio Esso de Jornalismo no Rio de Janeiro. A versão para cinema, ligeiramente maior, tem lançamento previsto para 2009″.
Preciso controlar a ansiedade para ver esse filme. Algum estimado leitor já é o feliz proprietário do DVD?
No comments40 anos do AI-5 (4)
Costa e Silva (de óculos) e Delfim Neto (também de óculos, assinando o documento)
Há 40 anos o país sofria um violento golpe institucional com a decretação do Ato Institucional n. 5. Decidi abrir uma exceção e escrever no blogue hoje após ler esta manhã a seguinte matéria na Folha de S. Paulo:
Oito em cada dez brasileiros nunca ouviram falar do AI-5
MAURICIO PULS
da Folha de S.Paulo
NATÁLIA PAIVA
colaboração para a Folha de S.PauloEditado há 40 anos pelo general Costa e Silva, o AI-5, o principal símbolo da ditadura militar, é totalmente ignorado por 82% dos brasileiros a partir dos 16 anos. E, dos 18% que ouviram falar algo sobre ele, apenas um terço (32%) respondeu corretamente que a sigla se referia ao Ato Institucional nº 5.
Editado em 13 de dezembro de 1968 pelo então presidente, o general Costa e Silva, o AI-5 autorizava o Executivo a fechar o Congresso, cassar mandatos, demitir e aposentar funcionários de todos os poderes. O governo podia legislar sobre tudo, e suas decisões não podiam ser contestadas judicialmente. Em dez anos, o AI-5 serviu de base para a cassação de mais de cem congressistas. A censura atingiu cerca de 500 filmes, 450 peças, 200 livros e 500 canções.
Passados quase 30 anos de sua extinção, a lembrança do AI-5 vem se desvanecendo. Como observa o cientista político Marcus Figueiredo, do Iuperj, isso resulta do fato de que boa parte da população nasceu após 1968: “O fato tem 40 anos e não faz parte do calendário das datas nacionais”. Mas mesmo no estrato de pessoas com 60 anos ou mais (indivíduos que tinham ao menos 20 anos quando o AI-5 foi editado), só 26% dizem ter ouvido falar dele.
O conhecimento sobre o AI-5 cresce à medida que avança a escolaridade formal. Só 8% das pessoas com ensino fundamental ouviram falar do AI-5. A taxa sobe para 53% entre quem tem nível superior, mas só 12% desse grupo se diz bem informado.
Para o sociólogo Leôncio Martins Rodrigues, professor aposentado da USP e da Unicamp, “a variável decisiva é a escolaridade”: “É natural que o desconhecimento exista. A população comum é muito desinformada sobre questões políticas. O pessoal mal lê jornal. Isso não é só no Brasil. Foi feita uma pesquisa com jovens da Alemanha, e a grande maioria nunca tinha ouvido falar de Hitler”.
Na opinião do historiador Marco Antônio Villa, da UFSCar, a pesquisa não revela “nenhuma surpresa”: “Nós somos um país sem memória e despolitizado. Se a política fizesse parte do cotidiano, isso não aconteceria. É um duplo problema. Isso permite que quem colaborou com a ditadura possa se travestir de democrata”.
Para o historiador Carlos Guilherme Mota, da USP, a pesquisa do Datafolha é previsível e resulta de um ensino ruim, da falta de financiamento às universidades e da falta de interesse num projeto nacional calcado no conhecimento histórico: “Vivemos num país em que as elites não têm preocupação em incentivar a educação e a pesquisa histórica”, diz.
Mais do que um fiasco do sistema escolar, a historiadora Denise Rollemberg, da UFF, diz tratar-se de um processo que envolve esquecimento e reconstrução da história: “No Brasil pós-abertura política, quando a democracia passa a ser valorizada, há uma reconstrução do passado a partir do presente. Nessa reconstrução esquece-se o que houve para esquecer-se do aval dado”.
Daniel Aarão Reis, também da UFF, concorda. Diz que que sempre que uma sociedade muda de valores surge o desafio de compreender por que se tolerou a situação agora deixada de lado: “É muito mais simples não falar do assunto, esquecer”.
Um sintoma de que o apoio à ditadura foi mais amplo do que aparenta transparece na pergunta na qual o pesquisador, após explicar o que foi o AI-5, questiona se Costa e Silva agiu bem ou mal ao editá-lo: 48% avaliam que ele agiu mal, e 26% acham que ele agiu bem. A pesquisa foi feita de 25 a 28 de novembro com 3.486 pessoas. A margem de erro é de dois pontos.
Provavelmente vocês meus caros leitores regulares deste blogue não se encaixem nessa maioria que, por uma razão ou outra, ignora esse período da história brasileira. Mas nesse desejo de compartilhar informações e ajudar quem desconhece o infame AI-5 selecionei, além do vídeo e imagens nos posts anteriores, alguns textos sobre o assunto:
REINALDO AZEVEDO
ESTADÃO
- Especial - AI-5: 40 anos de um atentado à liberdade (muito bom!).
FOLHA DE S. PAULO
- Site traz áudio completo da votação do ato (muito bom!);
- Medici queria revogar o AI-5 - entrevista com Rondon Pacheco;
- Fracasso em derrubar AI-5 levou Costa e Silva à morte - entrevista com Ivo Arzua;
- No dia seguinte a sua edição, AI-5 já era motivo de piada;
- Nos anos 70, regra era ensinar só até o golpe militar;
- UNE e OAB usam 40 anos do AI-5 para cobrar abertura dos arquivos da ditadura.
O GLOBO
- OAB omitiu-se diante do AI-5 e teve conselheiros em cargos no governo;
- Anos de chumbo: ABI flertou com regime que depois combateria;
- Historiadores analisam a participação da sociedade civil nos anos de chumbo.
PS: Infelizmente, textos completos só para assinantes do Globo Digital.
JORNAL DO BRASIL
- Memórias póstumas do AI-5, 40 anos depois;
- AI-5: Imprensa recorda uma dor imortal (parte 1);
- AI-5: Imprensa recorda uma dor imortal (parte 2);
- Ícone, Sepúlveda Pertence revisita a memória.
1 comment40 anos do AI-5 (2)
O anúncio da decretação do Ai-5 foi feito pelo ministro da Justiça, Gama e Silva (de óculos), e pelo locutor Alberto Curi.
O texto do infame AI-5:
No commentsATO INSTITUCIONAL Nº 5, DE 13 DE DEZEMBRO DE 1968
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, ouvido o Conselho de Segurança Nacional, e
CONSIDERANDO que a Revolução brasileira de 31 de março de 1964 teve, conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou, fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que, atendendo às exigências de um sistema jurídico e político, assegurasse autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana, no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção, buscando, deste modo, os meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar, de modo direito e imediato, os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa pátria (Preâmbulo do Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964);
CONSIDERANDO que o Governo da República, responsável pela execução daqueles objetivos e pela ordem e segurança internas, não só não pode permitir que pessoas ou grupos anti-revolucionários contra ela trabalhem, tramem ou ajam, sob pena de estar faltando a compromissos que assumiu com o povo brasileiro, bem como porque o Poder Revolucionário, ao editar o Ato Institucional nº 2, afirmou, categoricamente, que ‘não se disse que a Resolução foi, mas que é e continuará e, portanto, o processo revolucionário em desenvolvimento não pode ser detido;
CONSIDERANDO que esse mesmo Poder Revolucionário, exercido pelo Presidente da República, ao convocar o Congresso Nacional para discutir, votar e promulgar a nova Constituição, estabeleceu que esta, além de representar a institucionalização dos ideais e princípios da Revolução, deveria assegurar a continuidade da obra revolucionária’ (Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966);
CONSIDERANDO, no entanto, que atos nitidamente subversivos, oriundos dos mais distintos setores políticos e culturais, comprovam que os instrumentos jurídicos, que a Revolução vitoriosa outorgou à Nação para sua defesa, desenvolvimento e bem-estar de seu povo, estão servindo de meios para combatê-la e destruí-la;
CONSIDERANDO que, assim, se torna imperiosa a adoção de medidas que impeçam sejam frustrados os ideais superiores da Revolução, preservando a ordem, a segurança, a tranqüilidade, o desenvolvimento econômico e cultural e a harmonia política e social do País comprometidos por processos subversivos e de guerra revolucionária;
CONSIDERANDO que todos esses fatos perturbadores, da ordem são contrários aos ideais e à consolidação do Movimento de março de 1964, obrigando os que por ele se responsabilizaram e juraram defendê-lo, a adotarem as providências necessárias, que evitem sua destruição,
Resolve editar o seguinte
ATO INSTITUCIONAL
Art 1º - São mantidas a Constituição de 24 de janeiro de 1967 e as Constituições estaduais, com as modificações constantes deste Ato Institucional.
Art 2º - O Presidente da República poderá decretar o recesso do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores, por Ato Complementar, em estado de sitio ou fora dele, só voltando os mesmos a funcionar quando convocados pelo Presidente da República.
º 1º - Decretado o recesso parlamentar, o Poder Executivo correspondente fica autorizado a legislar em todas as matérias e exercer as atribuições previstas nas Constituições ou na Lei Orgânica dos Municípios.
º 2º - Durante o período de recesso, os Senadores, os Deputados federais, estaduais e os Vereadores só perceberão a parte fixa de seus subsídios.
º 3º - Em caso de recesso da Câmara Municipal, a fiscalização financeira e orçamentária dos Municípios que não possuam Tribunal de Contas, será exercida pelo do respectivo Estado, estendendo sua ação às funções de auditoria, julgamento das contas dos administradores e demais responsáveis por bens e valores públicos.
Art 3º - O Presidente da República, no interesse nacional, poderá decretar a intervenção nos Estados e Municípios, sem as limitações previstas na Constituição.
Parágrafo único - Os interventores nos Estados e Municípios serão nomeados pelo Presidente da República e exercerão todas as funções e atribuições que caibam, respectivamente, aos Governadores ou Prefeitos, e gozarão das prerrogativas, vencimentos e vantagens fixados em lei.
Art 4º - No interesse de preservar a Revolução, o Presidente da República, ouvido o Conselho de Segurança Nacional, e sem as limitações previstas na Constituição, poderá suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais.
Parágrafo único - Aos membros dos Legislativos federal, estaduais e municipais, que tiverem seus mandatos cassados, não serão dados substitutos, determinando-se o quorum parlamentar em função dos lugares efetivamente preenchidos.
Art 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:
I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;
II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;
III - proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;
IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:
a) liberdade vigiada;
b) proibição de freqüentar determinados lugares;
c) domicílio determinado,
º 1º - o ato que decretar a suspensão dos direitos políticos poderá fixar restrições ou proibições relativamente ao exercício de quaisquer outros direitos públicos ou privados.
º 2º - As medidas de segurança de que trata o item IV deste artigo serão aplicadas pelo Ministro de Estado da Justiça, defesa a apreciação de seu ato pelo Poder Judiciário.
Art 6º - Ficam suspensas as garantias constitucionais ou legais de: vitaliciedade, mamovibilidade e estabilidade, bem como a de exercício em funções por prazo certo.
º 1º - O Presidente da República poderá mediante decreto, demitir, remover, aposentar ou pôr em disponibilidade quaisquer titulares das garantias referidas neste artigo, assim como empregado de autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista, e demitir, transferir para a reserva ou reformar militares ou membros das polícias militares, assegurados, quando for o caso, os vencimentos e vantagens proporcionais ao tempo de serviço.
º 2º - O disposto neste artigo e seu º 1º aplica-se, também, nos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios.
Art 7º - O Presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo.
Art 8º - O Presidente da República poderá, após investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública, inclusive de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.
Parágrafo único - Provada a legitimidade da aquisição dos bens, far-se-á sua restituição.
Art 9º - O Presidente da República poderá baixar Atos Complementares para a execução deste Ato Institucional, bem como adotar, se necessário à defesa da Revolução, as medidas previstas nas alíneas d e e do º 2º do art. 152 da Constituição.
Art 10 - Fica suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e social e a economia popular.
Art 11 - Excluem-se de qualquer apreciação judicial todos os atos praticados de acordo com este Ato institucional e seus Atos Complementares, bem como os respectivos efeitos.
Art 12 - O presente Ato Institucional entra em vigor nesta data, revogadas as disposições em contrário.
Brasília, 13 de dezembro de 1968; 147º da Independência e 80º da República.
A. COSTA E SILVA
Luís Antônio da Gama e Silva
Augusto Hamann Rademaker Grünewald
Aurélio de Lyra Tavares
José de Magalhães Pinto
Antônio Delfim Netto
Mário David Andreazza
Ivo Arzua Pereira
Tarso Dutra
Jarbas G. Passarinho
Márcio de Souza e Mello
Leonel Miranda
José Costa Cavalcanti
Edmundo de Macedo Soares
Hélio Beltrão
Afonso A. Lima
Carlos F. de Simas
40 anos do AI-5 (1)
Encenação do discurso do então deputado Marcio Moreira Alves que serviu de pretexto para a decretação do AI-5. Tem depoimento do próprio e de Paulo Markun, jornalista e atual presidente da TV Cultura, de São Paulo.
No commentsHélio Contreiras: “A esquerda tinha simpatia pelos militares”




Em 2005, entrevistei o jornalista Hélio Contreiras, que acabara de lançar AI-5: a opressão no Brasil. O livro reunia depoimentos de militares sobre o período mais violento da ditadura no Brasil. Contreiras pretendia reconstruir o impacto do mais pesado ato institucional pelos olhos dos militares levando os leitores para dentro dos quartéis e gabinetes do governo. A história, assim, poderia ser avaliada sob diferentes perspectivas, livre dos limites ideológicos que conduziria a relatos distorcidos.
A relação entre facções da esquerda e os militares já foi objeto de estudos e várias análises. O que desperta interesse ao depoimento de Contreiras é o fato dele ter sido um dos repórteres que na década de 1970 cobria a área militar e estava sujeito não só a truculência do regime, mas a estupidez dos colegas jornalistas de Brasília e do Rio que torciam o nariz por não admitirem sua convivência profissional com os generais, brigadeiros, coronéis, almirantes. Viveu durante anos sob o patrulhamento diário.
Contreiras trabalhou no Correio da Manhã, O Globo, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense, Istoé e hoje edita uma newsletter internacional sobre panorama político. Antes de se decidir pelo jornalismo, estudou para ser diplomata, passou uma temporada em Paris freqüentando as aulas de sociologia na Sorbonne. De lá, mandava matérias para o Correio da Manhã. Em 1972, voltou para o Rio, desistiu do Itamaraty e entrou para O Globo. Começou a cobrir a área militar em 1977, para O Globo. Na Istoé, em 1984, conseguiu depoimentos que provavam as conspirações contra o candidatura de Tancredo Neves. Colaborador do Estadão em 1991, conseguiu o “furo” da renúncia do presidente Fernando Collor de Melo.
Do período em que cobriu a área militar, Contreiras entrevistou dezenas de autoridades de alta patente das Forças Armadas. Grande parte desse material não pôde ser publicado durante o regime. Com o fim da ditadura, viu que tinha material para dois livros. No primeiro, Militares – Confissões – Histórias secretas do Brasil, lançado em 1998, publicou pela primeira vez depoimentos de militares sobre o AI-5, a tortura, as cassações, a sucessão dos generais, o apoio à ditadura chilena, o relacionamento com os Estados Unidos e o plano de intervenção do Brasil no Uruguai.
De seu apartamento no Rio de Janeiro, Contreiras falou de como os militares radicais acumularam força, com apoio da imprensa, a partir dos anos de 1950; sobre a curiosa afinidade ideológica entre extremistas das Forças Armadas e a esquerda; de como as lideranças políticas e civis falharam no golpe de 1964; e afirmou que os militares conseguiram retomar valores perdidos pela participação ativa na política nacional.
“A esquerda se aproximou dos militares por causa do projeto de defesa do patrimônio do estado. Lembremos que o PT lutou contra as privatizações, que, para os membros do partido, significavam o desmonte do estado brasileiro que, aliás, os militares ajudaram a construir”, disse o jornalista, que morreu em 2006 sem ver esta entrevista publicada.
Antes de começarem a ler, devo fazer uma nota: na época da entrevista eu era um ignorante na história do Brasil desse período (foi a partir dessa conversa que aprofundei as leituras sobre o tema). Antes de encontrar o Contreiras, li seu livro e consultei outras obras para ir preparado. Mesmo assim, a ignorância era maior do que meu esforço circunstancial. O resultado foi ter aceitado determinadas respostas sem questioná-las e deixar de explorar outras que poderiam ter rendido muito mais. É por isso que me desculpo pela falhas perceptíveis que vocês hão de reparar. Decidi publicar a entrevista como o registro histórico da opinião de um profissional que rondou os bastidores do poder militar e pelo fato de amanhã completar 40 anos da edição do AI-5.
Por que os militares radicais levaram a melhor?
Hélio Contreiras: Os radicais foram ganhando muita força e tiveram, inclusive, espaço na imprensa. Isso tudo começou na década de 1950. Os militares sempre tiveram uma participação importante na política. O projeto Petrobras, por exemplo, teve ampla participação dos militares; um grupo a favor do monopólio, outro contra. Começou, então, a haver uma projeção de um grupo de militares por conta dessa visão nacionalista, que defendiam a construção de um estado forte, nessa linha que o PT apóia. É por isso que existe essa simpatia de petistas importantes com os militares — por causa do projeto de estado soberano.
De fato, a esquerda se aproximou dos militares por causa do projeto de defesa do patrimônio do estado. Lembremos que o PT lutou contra as privatizações, que, para os membros do partido, significavam o desmonte do estado brasileiro que os militares ajudaram a construir. A partir da década de 1950, o debate sobre as questões essenciais para o país se intensificou. E a imprensa passou a dar espaço para os militares da linha dura.
Como isso aconteceu?
Os militares autoritários conseguiram mais projeção porque participavam ativamente do debate na imprensa. Pelos jornais, os radicais defendiam suas teses de defesa do estado, pelo desenvolvimento do país sem participação estrangeira. Eles conseguiram se colocar nos debates relevantes para o país, como petróleo, energia nuclear e dependência econômica externa.
Esses militares, inclusive, se projetaram no debate utilizando o tom radical da UDN, lapidado por Carlos Lacerda. Foi Lacerda quem deu mais força àquela linha conspiratória que foi organizada pelos militares para derrubar Getúlio Vargas. Além de não gostarem de Getúlio, que seguia uma linha caudilhesca, os militares não se conformavam com o poder de Gregório Fortunato, o guarda-costas do presidente, e o fato de Vargas estar preparando o sucessor, seu ministro do Trabalho, João Goulart.
Por causa disso, os militares, especialmente os da Aeronáutica, começaram a conspirar. Não foi à toa que o segurança de Carlos Lacerda era um major-aviador da ativa, Rubens Vaz. Quer dizer, um major-aviador da Aeronáutica do país trabalhava como segurança de um jornalista que iniciava a carreira política e conspirava contra o governo. Hoje isso seria uma loucura, mas naquela época de subdesenvolvimento político do país essa situação aconteceu.
E aquele debate por um estado forte, com participação ativa dos militares duros, contava com a simpatia da esquerda. Entre militares radicais e alguns representantes da esquerda havia afinidade.
Quem eram os comunistas e militares que compartilhavam idéias?
Na Aeronáutica, por exemplo, havia o brigadeiro Aníbal Teixeira, que foi ligado à esquerda e vinculado ao Partido Comunista. O antigo MDB teve como presidente do partido o general Oscar Passos. Outros, como Prestes, que tinha sido militar, foi para o Partido Comunista e ainda contava com grande admiração dos militares. Muitos militares tinham pelo Prestes uma verdadeira devoção. Prestes foi aluno exemplar da Escola Militar. Tinha um currículo excepcional. Como militar, como líder, foi muito mais importante do que Lamarca — não tem nem comparação. Essas qualidades despertaram uma grande admiração entre os militares.
Além da grande afinidade entre Prestes e os militares que aderiram ao comunismo, também havia uma aproximação ideológica entre os militares que não aderiram, mas que sustentavam idéias semelhantes, como a construção do estado forte, de um país soberano. O Geisel, por exemplo, partilhava com Prestes a idéia de um estado poderoso e independente. Lembremos que foi Geisel quem rompeu o acordo militar entre Brasil e Estados Unidos em 1977. Era um nacionalista, como Prestes.
E o apoio da esquerda ao general Euler Monteiro para suceder Geisel?
Pois é. A candidatura do Euler foi um equívoco. O Ulysses Guimarães e o Severo Gomes escolheram um candidato de oposição inviável para competir com o general João Figueiredo, candidato da situação.
O erro foi semelhante ao da escolha do general Teixeira Lott, em 1960?
O Lott foi um dos mais desastrosos candidatos que a esquerda já escolheu. Era um sujeito ultraconservador, anticomunista doente. A pessoa pode ser contra ou a favor do comunismo, mas a partir de um momento passa a ser ridículo. Ele não podia, mas queria transformar o comunismo naquele momento como sendo um grande problema para o país. Não era. A esquerda na tinha força e, além do mais, numa democracia deve haver espaço para todos os partidos. Mas por que escolheram o Lott? Só porque ele cumpriu o dever de garantir a posse do Juscelino Kubitschek, em 1955.
A escolha do Lott foi baseada em quê?
Houve uma festa em torno daquele legalismo, que não era algo tão extraordinário assim. Ele garantiu a posse do Juscelino porque foi pressionado pelo general Benini. Não era o caso de escolhê-lo como candidato. É o mesmo que hoje você apoiar Dulcídio Amaral como candidato à presidência só por ele estar cumprindo o seu papel como presidente da CPI.
E os radicais?
O grupo da linha dura militar cresceu defendendo a moralidade. O grande representante da linha dura na década de 1950 foi o general Dagobert Pereira da Costa, candidato escolhido para assumir o país depois do golpe militar de 1955. Tinha muita força e mais liderança que o Costa e Silva e Castello Branco juntos. Ele iria assumir se o golpe fosse concretizado. O projeto dos militares era ficar mais cinco anos no poder e, depois, convocar uma eleição direta para transmitir o poder a um civil. Era o que se chamou na época de “Operação Cirúrgica”.
Todo o discurso dos militares era permeado de temas como probidade e honestidade. E a imprensa dava muito destaque. Paralelamente, o Lacerda fazia a campanha contra o Getúlio, contra a corrupção. O ambiente que foi criado para combater a corrupção e defender a moralidade tinha participação ativa das lideranças militares. É curioso o fato do Dutra ter sido enaltecido na época como um homem honesto, como se não fosse sua obrigação ser honesto. O mesmo aconteceu com Juarez Távora, cuja pregação nacionalista encantava alguns setores da esquerda.
Qual foi o erro político de João Goulart?
Goulart agiu com uma boa dose de ingenuidade. Acreditou muito em algumas lideranças políticas próximas a ele, não para fazer uma revolução, mas para mudar o país. Mas foi de uma ingenuidade lamentável. Prova disso, foi o fato de ter chamado o general João Batista Figueiredo para conversar. Houve duas conversas entre eles no Edifício Chopin, em Copacabana. Naquele momento, Figueiredo já estava conspirando. Durante a conversa, chegou a ameaçar o presidente, dizendo que se os comunistas não fossem afastados do governo, iria conspirar. O que João Goulart devia ter feito naquele momento? Ordenado a prisão de Figueiredo, no ato. A esquerda brasileira, que nunca antes havia estado no poder, se mostrou extremamente despreparada.
Por que Goulart caiu nessa?
Ele teve um chefe da casa militar desastroso, que era o general Assis Brasil, incapaz de tomar algumas atitudes em defesa do presidente. Na prática, ele o traiu. Era desinformado, ficava alheio ao que estava acontecendo. Todo mundo sabia, por exemplo, que o general Antonio Carlos de Andrada Muricy estava conspirando e provavelmente Assis Brasil soubesse disso também, mas deixou a coisa rolar. Ele era incapaz de relatar ao presidente a real situação do país. Goulart não era um panaca, um sujeito primário. Ouviria, sim, o que tinha a dizer seu chefe da Casa Militar, que deveria ter sugerido uma estratégia de defesa política, levando em conta a necessidade do presidente em não receber certos grupos com o objetivo de não desestabilizar o governo.
Goulart estava cercado por pessoas que achavam que as grandes transformações do país poderiam ser feitas sem nenhuma resistência ou hostilidade das elites brasileiras, que naquele momento não queria ouvir falar de reforma agrária, urbana, bancária, tributária. Faltou a Goulart um plano de defesa política estratégica. Num país como o Brasil, não se faz grandes mudanças sem tomar certos cuidados políticos.
Em 1964, Goulart estava realmente vulnerável. Faltou a ele um apoio estratégico para enfrentar a elite. O trabalho da direita e da UDN foi muito radical contando, inclusive, com o apoio do coronel Vernon Walters, adido dos Estados Unidos no Brasil.
Você diz no livro que a sociedade e os políticos cometeram um grave erro em 1964 ao não participarem da articulação para a escolha do presidente. O que aconteceu?
As lideranças políticas e civis falharam em 1964. Foram despreparados, se comportaram de uma maneira muito primária e subalterna. Parece que eles não sabiam o que estava acontecendo no país. Tanto que as lideranças políticas nem tentaram negociar durante a crise. Deviam ter seguido o conselho de Tancredo Neves, para quem o político devia negociar sempre.
Essa falta de ação acabou beneficiando Castello Branco, que dominou a situação, contando, inclusive, com o apoio de muitas lideranças políticas, como Juscelino Kubistchek. A apatia e submissão foram tão graves que o golpe, preparado por Ademar de Barros e Magalhães Pinto, foi dado por telefone. Acho que no país nunca se executou um golpe de forma tão fácil quanto o de 1964. Certamente, se o assessor de Goulart fosse Tancredo Neves, e não Assis Brasil, provavelmente o presidente não teria cometidos tantos erros. Em 1961, por exemplo, foi Tancredo que negociou com Ernesto Geisel a posse de Goulart. Anos depois, na década de 1970, tanto Tancredo como Ulysses Guimarães exerceram um papel heróico na política nacional.
No caso de Tancredo, ele conseguiu ampliar sua influência política de tal forma que em 1984 foi um grande obstáculo para que os radicais continuassem no poder.
Porque as lideranças civis e políticas não reagiram?
As lideranças cometeram três erros graves. O primeiro foi aceitar o golpe passivamente, sem resistência e negociação. O segundo foi se calar diante das violências cometidas na década de 1960.
Entre 1964 e 1968, sob o governo de Costa e Silva, que sucedeu Goulart, ainda ouve alguma liberdade e espaço para a crítica pela oposição. Mas não só a oposição aproveitou-se desse período. A direita radical também se valeu desse momento para conspirar e iniciar os atentados a bomba, atribuídos aos comunistas, mas cometidos por um grupo de oficiais da área de informações do Exército.
Foi o início de um processo de radicalização do processo político forçado e estimulado pelos militares radicais.
Qual foi o terceiro grande erro?
A euforia geral com o milagre econômico. Neste caso, parte da culpa cabe à imprensa, a nós jornalistas, que demos tanto espaço ao ministro Delfim Neto e não conseguimos desmascarar o milagre econômico. Coube a um americano, o professor da Universidade de Berkeley Albert Fishlow desmontar a farsa dizendo que não poderia haver milagre econômico sem distribuição de renda. Porque, na época, muita gente esqueceu da área social por causa da euforia geral com o crescimento econômico. Praticamente não houve quem escrevesse contra, o que levou o Mário Henrique Simonsen (economista e ex-ministro, já falecido) referir-se à ditadura militar como a época das decisões sem crítica.
Mas por que Juscelino, que não era um bobo em política, aceitou passivamente essa situação?
Ele não correspondeu, não teve visão política, não percebeu o que estava acontecendo no país. As lideranças civis falharam naquele momento, entende? E quem reagiu depois? Só a esquerda.
Os militares moderados reagiram de alguma forma contra os radicais nesse período?
Sim, sim. O coronel Boaventura Cavalcanti Júnior, por exemplo, reagiu em 1968 e foi cassado depois.
Costa e Silva cedeu às pressões dos radicais especificamente por estar vulnerável pelo suposto envolvimento da esposa no desvio de verbas da Capes?
Este e outros casos relacionados à dona Iolanda, pelo que sei, não a envolviam em corrupção, mas com uso de sua influência na política, especialmente no apoio a Paulo Maluf. Mesmo assim, Costa e Silva, com as acusações, ficou moralmente abalado. Os radicais estavam usando sua esposa para tentar desmoralizá-lo.
O grande equívoco de Costa e Silva, um sujeito mais primário, mais despreparado do que João Goulart, foi imaginar que podia governar cercado de radicais. Ele queria liberalizar o regime cercado de militares da linha dura, como o coronel Andreazza, que fez inúmeras grosserias contra os jornalistas na cobertura da obra da ponte Rio-Niterói. Foi uma das mais sofridas missões que os jornalistas brasileiros tiveram porque o Andrezza sempre foi um sujeito grosso, estúpido, desrespeitoso. Ele queria jornalistas como Ibrahim Sued. Ele dizia: “Ibrahim, quero que você prepare a imagem do general Costa e Silva; que você popularize a imagem do presidente”. O Ibrahim sugeriu que o general fosse chamado, em sua coluna no jornal, de “seu Artur”. Andreazza gostou da idéia. Comparo Andreazza ao Maluf, que também foi grosseiro muitas vezes com os jornalistas e é do mesmo tipo moral.
Você responsabiliza os militares pelo desencadeamento da luta armada. E apresenta depoimentos de membros das Forças Armadas que mostram como o AI-5 estimulou os estudantes a adotarem a guerrilha. Como isso aconteceu?
Antes da decretação do AI-5, os militares duros realizaram alguns atentados para forçar a radicalização, que para eles era interessante. O que fez a esquerda? Decidiu combater o regime da mesma forma violenta. Além de contarem com a censura e com a propaganda oficial a seu favor, os militares detinham um enorme arsenal e poder bélico. A luta, desde o começo, foi desigual.
O fato é que o AI-5 fechou todos os espaços para que houvesse uma oposição legal. Com isso, estimulou a radicalização, que beneficiou os militares radicais.
A esquerda radical foi responsável pela decretação do AI-5?
Não, não acho que a esquerda possa ser responsabilizada. Mas é claro que a esquerda foi muito imprudente em 1964. Ela, além de subestimar a ação dos radicais militares, os desafiou com um discurso agressivo em defesa de reformas profundas. A esquerda não agiu de forma cuidadosa, algo fundamental quando se pretende realizar uma mudança social no país. Parece terem ignorado o fato de que as forças conservadoras sempre foram muito poderosas no Brasil.
O envolvimento das Forças Armadas com o poder a partir de 1964, segundo diz o coronel Chaves no livro, comprometeu valores tradicionais dos militares, como legalidade, lealdade e companheirismo. Pela sua experiência na cobertura da área militar e com as fontes que tem, o senhor acha que os militares conseguiram retomar esses valores depois dessas quatro décadas?
Sim, a ética voltou a ter importância no conjunto das Forças Armadas e o preparo profissional dos militares, hoje, é bem superior ao daquela época. A situação só não é melhor por causa da enorme carência de recursos, algo que, futuramente, pode ser perigoso, causar insubordinação, atos de rebeldia e até deixar o país indefeso.
PS: Aqui pode-se ler um texto informativo sobre o livro.
No commentsLagavulin 16 anos
Lagavulin 16 anos. Já não é nem mais uísque. Se houver bebida espirituosa no Céu tenho certeza de que os anjos brindam com o Lagavulin, um single malt soberbo, de sabor imperial e perfume majestoso.
Com duas gotas de água, que dilui o álcool, esse uísque explode em aromas e paladar. A cada gole eu mastigava o ar dentro da boca para prolongar o prazer da experiência.
Assim como o Laphroaig, comentado na Delicatessen anterior, o Lagavulin é produzido na região escocesa de Islay (pronuncia-se Áila). Virei um entusiasta ardoroso dos uísques produzidos nessa região, que têm uma característica própria marcante como resultado do processo de fabricação. A queima da turfa para secar o malte de cevada confere aos uísques de lá um sabor e aroma únicos.
Para deixá-los com água na boca divido com vocês esse vídeo do empolgado Michael Lam, da Beverage Review. Enjoy it!
No comments“Seus problemas esquerdistas acabaram!”
Via o blogue do caro Reinaldo Azevedo, está o link para esse vídeo extraordinário:
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