Dicta&Contradicta número 4: entrevista com o editor

Desde a primeira edição da Dicta&Contradicta entrevisto o Guilherme Malzoni Rabello, presidente do Instituto de Formação e Educação (IFE) e um dos editores da revista. Conheci o Guilherme por e-mail no ano passado a que se seguiu uma conversa por Skype para meses depois, já em abril de 2009, ter o privilégio de conhecê-lo pessoalmente.

A conversa sobre a revista acabou se convertendo numa tradição recente aqui no blogue. E para marcar a publicação do quarto número da revista, da qual participo com o texto Contra a perfeição ou A desilusão dos crentes políticos, sobre o livro The End of Commitment: Intellectuals, Revolutionaries, and Political Morality in the Twentieth Century, do professor Paul Hollander, aqui vai mais uma entrevista com o Guilherme. E não esqueçam que o lançamento é hoje às 19h no Mulligan Irish Pub, na Rua Bela Cintra, 1579, Jardins, São Paulo.

1- E lá vamos para o quarto número da Dicta. A primeira pergunta, Guilherme, é: você acha que a revista conseguiu criar uma identidade, uma cara própria?
Com certeza, sim. E mais do que isso: acho que essa cara própria é a principal responsável por termos conseguido chegar até aqui - às vésperas do lançamento de nosso quarto número. O mais importante, porém, é que essa identidade não nos foi imposta nem fabricada. A Dicta é o resultado de uma vontade concreta e verdadeira; é disso que a gente gosta. Eu acho que essa honestidade chega de alguma maneira às páginas da revista.

2- Você acha que a Dicta conseguiu ter algum impacto na parcela, vá lá, highbrow da cultura nacional? Se sim, qual foi e qual a sua avaliação?
Causar impacto é uma coisa bastante ambígua que não garante os nossos dois principais objetivos: qualidade e permanência das idéias. Mas apesar de não ser o nosso foco, a verdade é que a Dicta teve muito mais impacto do que imaginávamos. Isso pode ser medido de várias maneiras: vendemos mais do que esperávamos, tivemos uma excelente resposta do público etc. Mas de todas essas coisas o que pessoalmente me deixa mais feliz é saber que a Dicta já foi tema de dois trabalhos universitários. Este é o tipo de impacto que buscamos: chegar às pessoas e fazê-las pensar.

3- Uma pergunta que me ocorre quando vejo uma publicação de alto nível como é a Dicta é a seguinte: o que os editores, honestamente, pretendem com a publicação?
A Dicta foi pensada desde o início como o primeiro passo de um projeto muito maior. Se nossos objetivos terminassem com a publicação da revista, depois de amanhã estaríamos um olhando para cara do outro a se perguntar: “E agora, o que a gente vai fazer?”.

Não é esse o caso da revista. O IFE surgiu porque sentíamos falta de pessoas e instituições que levassem a cultura a sério, que pensassem a longo prazo. Vou contar uma coisa que talvez pareça a mais completa besteira, mas é verdade. Logo depois do lançamento da Dicta 3, tivemos uma reunião para responder a seguinte pergunta: “o que o IFE deve ser daqui a 500 anos e o que precisamos fazer amanhã para chegar lá?”. Não estamos interessados em futurologia, mas responder a essa pergunta é tentar compreender o que realmente importa na cultura. Sem isso não há motivo nem para publicar a Dicta. Até onde vamos, não posso dizer; mas que o objetivo é alto… isso você pode ter certeza.

4- A quarta Dicta é a edição com o maior número de páginas. É engração que nos dois primeiros números havia o medo de não se conseguir avançar por causa da crise financeira. Como vocês conseguiram viabilizar a edição?
Com sangue, suor, trabalho e lágrimas. E ainda estamos longe de ganhar a guerra! Brincadeiras a parte, nunca foi fácil viabilizar a revista. Mas isso não é surpresa e se fosse fácil não teria graça.

É um erro - talvez o principal de tantos “projetos culturais” - separar a concepção teórica da viabilidade prática. “Ah, o projeto era perfeito, só não deu certo porque não conseguiu dinheiro”. Isso não existe: em algum momento alguém foi incompetente! Os empresários não vão entender? O público não está acostumado? A cultura não tem valor no Brasil? Pode ser que tudo isso seja verdade, mas as coisas são assim. Ou você acha uma solução ou é melhor fazer outra coisa, não tem outro jeito.

5- Como sou um conservador, repito pergunta das outras entrevistas: podemos esperar a quinta edição?
É claro que sim! A reunião de pauta já está marcada para próxima semana. Como disse, no que depender de nós a Dicta está garantida pelos próximos 500 anos.

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As outras entrevistas realizadas:

1- ENTREVISTA: Guilherme Rabello fala sobre a Dicta&Contradicta.

2- Conversa com Guilherme Malzoni Rabello sobre o segundo número da Dicta.

3- Dicta&Contradicta: conversa com o editor.

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Não percam: lançamento do quarto número da Dicta!!

Como informado aí no cartaz haverá lançamento do quarto número da revista Dicta&Contradicta. E o pessoal da revista teve a bela ideia de fazê-lo num pub onde há sempre aquela delícia irlandesa chamada Guinnes. Eu sempre serei a favor de lançamentos em pubs em vez dos tradicionais (e quase sempre abstêmios) promovidos em livrarias.

Ah, sim, há um texto meu na edição.

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O que será deste blogue?

Bruno Garschagen - Destruição Criadora: Globalização e cultura from Atlas Global Initiative on Vimeo.

Prezados, estou reformulando a parte visual do blogue e testando novas ferramentas.

Na próxima semana aviso quando voltarei a postar com regularidade.

Enquanto isso, deixo com vocês o vídeo aí de cima (palestra realizada na Universidade Católica de Brasília no dia 26 de outubro) e uma frase que seria mais apropriada para o twitter:

Atividade intelectual no Brasil só no inverno ou dentro de um frigorífico.

Ando com saudades daqui. De escrever sobre Portugal, sobre as viagens que fiz e as impressões a respeito do Brasil após dois anos fora.

E obrigado à minha mulher, ao meu filho e a cada uma das pessoas que, durante a turnê liberal em outubro, pediram a reativação do blogue.

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Garschagen sobre Ahmadinejad

Concedi ontem entrevista ao jornal português “i” por causa da visita do presidente do Irã ao Brasil:

Ahmadinejad. Um conservador islâmico no eixo do carnaval

por Sílvia Caneco, Publicado em 24 de Novembro de 2009

Meia hora. Foi este o tempo que o presidente do Brasil, Lula da Silva, concedeu ontem ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad numa audiência privada em Brasília. Nas ruas, o líder da República Islâmica despertou a fúria dos brasileiros. Cem pessoas manifestaram-se na Esplanada dos Ministérios, na capital brasileira, e entupiram um dos acessos da estrada antes da chegada do presidente do Irão. Pouco antes, uma avioneta cruzava os céus do Rio de Janeiro com uma faixa em que se lia: “Você não é bem-vindo aqui.” Do Rio de Janeiro a Brasília, de Florianópolis a Curitiba, o protesto dos brasileiros encheu as ruas.

(…)

“O encontro é uma via de mão dupla”, sugere Bruno Garschagen, cientista político e director de relações institucionais no think-tank Ordem Livre.

Existe o interesse de o Brasil aparecer “aos olhos do mundo como uma voz activa na pacificação do conflito do Médio Oriente”, diz Bruno Garschagen. Mas também há o interesse do presidente do Irão, que quer “aproximar-se da América Latina, África e Ásia, regiões que estão fora do eixo Europa-EUA e onde as portas não estão fechadas.”

(…)

Em jogo está a tentativa de o Brasil conquistar apoios no Médio Oriente para alcançar um lugar como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Porém, ao querer dialogar com todas as partes, o tiro de Lula pode sair-lhe pela culatra e arrefecer as relações entre os EUA e o Brasil, argumentam vários especialistas em relações internacionais. Isto porque o encontro com o líder do Irão colide com os esforços do Ocidente para controlar o programa nuclear iraniano. Mas essa não é a interpretação de Bruno Garschagen: “O governo de Washington pode não ver com bons olhos o encontro entre Lula e Ahmadinejad, mas Obama sentirá que quanto mais Ahmadinejad aparece publicamente, mais ele se compromete e tenderá a optar pela via pacífica.”

Além disso, as três visitas dos representantes do Médio Oriente ao Brasil nos últimos 15 dias ilibam o presidente Lula de acusações de apoio ao Irão. “As três visitas levam a que aos olhos do Estado americano o Brasil seja visto, não como um apoiante do Irão, mas como um país que quer estar bem com o mundo”, diz Bruno Garschagen. “Lula quer mostrar que o Brasil tem diversidade de relações internacionais”, reforça Margarida Vaqueiro Lopes, jornalista portuguesa do “Estadão”. O périplo de Ahmadinejad segue hoje na Venezuela, onde irá reunir com o presidente Hugo Chávez - o amigo que sempre apoiou o programa nuclear iraniano.

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Turnê Liberal no Rio

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Um convite aos amigos, conhecidos e leitores deste blogue: o Liberdade na Estrada, que começou no dia 5 de outubro em Porto Alegre e passou por 12 cidades do Sul ao Norte do país, conclui a turnê liberal com dois seminários no Rio:

30 de outubro (Bruno Garschagen e Diogo Costa)
Local: IBMEC, Av. Presidente Wilson 118, sala 406 (Premium)
Horário: 17h-21h

31 de outubro (Diogo Costa e Rodrigo Constantino)
Local: Universidade Estácio de Sá, Centro Empresarial Barra Shopping, Av. das Américas 4200, bloco 11
Horário: 10h-12h

Será muito bom vê-los lá.

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Turnê Liberal pelo Brasil

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Venho aqui em caráter extraordinário para informar, bastante atrasado, que estou participando pelo OrdemLivre.org da turnê liberal batizada de Liberdade na Estrada. Já passamos por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Tenho falado nas minhas palestras sobre globalização e cultura. Os outros palestrantes são Diogo Costa (Um ideal para a nossa geração), o psicólogo e mestre em filosofia Lucas Mafaldo (Princípios da justiça), o estudante venezuelano Gabriel Gallo (Socialismo no século XXI) e o presidente do Instituto Mises Brasil, Hélio Beltrão (A crise e seus desdobramentos). Em Porto Alegre tivemos o economista Rodrigo Constantino e em Fortaleza, teremos o economista e professor da Universidade Católica de Brasília, Adolfo Sachsida.

Gostaria aqui de fazer um agradecimento a todos os estudantes responsáveis pela organização nas universidades e ao Juliano Torres, indivíduo fundamental na realização da turnê.

Amanhã a turnê recomeça em Belo Horizonte. Apareçam por lá e avisem os amigos, parentes, inimigos etc:

14/10 IBMEC-MG
Horário: 18h-22h
Loca: Ibmec - Minas Gerais?
Rua Paraíba, 330 - 4o andar?- Edifício Séculus Business Center
Belo Horizonte - MG

15/10 UFMG
Horário: 8h-12h
Local: Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (FDUFMG)
Praça Afonso Arinos, no endereço Avenida João Pinheiro – n.100, Centro.
Belo Horizonte - MG

16/10 UFES
Horário: 8-12h
Local: Salão Rosa, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) da Universidade Federal do Espírito Santo
Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras
Vitória - ES

19/10 UFBA
Horário: 13-17h
Local: Auditório do Pavilhão de Aulas da Federação III (próximo à Biblioteca Central Reitor Macedo Costa)
Avenida Adhemar de Barros, s/nº - Campus Universitário de Ondina
Salvador - BA

20/10 UFAL
Horário: 8h-12h
Auditório do CSAU – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Campus A. C. Simões, BR 104 - Norte, Km 97, Tabuleiro dos Martins
Maceió - AL

21/10 UFPE
Horário: 8-12h
Local: Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal de Pernambuco
Avenida Acadêmico Hélio Ramos, s/nº, Cidade Universitária
Recife - PE

22/10 UFRN
Horário: 8-12h
Local: Auditório do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ciências Sociais (NEPSA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Natal - RN

23/10 UFC
Horário: 8-12h
Local: Auditório Geraldo da Silva Nobre
Av. da Universidade, 2486 – Benfica
Fortaleza - CE

23/10 FA7
Horário: 18-22h
Local: Teatro da FA7
Rua Almirante Maximiniano da Fonseca, 1395
Fortaleza - CE

26/10 UCB
Horário: 20h
Local: Auditório do bloco K
Campus I, da Universidade Católica de Brasília
Brasília - DF

Este blogue só retoma seu curso em novembro. Portem-se bem até lá.

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Despedida

Prezados, depois de dois anos muito bem vividos aqui em Lisboa estou voltando para o Brasil. No texto aí embaixo que publiquei ontem falo sobre o assunto.

Por causa das pendências a serem resolvidas antes do regresso a produção para o blogue fica suspensa. Talvez eu escreva algo em caráter extraordinário.

Portem-se bem e até a minha volta.

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“Saudades do Brasil? A pergunta repete-se de maneira intermitente. Alguns, sinto, esperam que eu tire um pandeiro do bolso e comece a tocar um samba”

Minha coluna desta semana no jornal i:

VISTO DE FORA

A transição no Brasil, ou a balada de uma despedida

Cheguei a Lisboa em 2007. Sem o menor interesse pelo país. A vinda era estritamente académica. E aqui eu estava mais perto da Inglaterra.

Portugal não me interessava, como não interessa a boa parte da população brasileira. Ignorância. Indiferença. Já lá vão dois anos. Pela primeira vez, consegui amar uma cidade: Lisboa. Amigos não entendiam como eu não amava o Rio de Janeiro. Nunca amei.

Nesse período aqui consegui perceber a herança portuguesa no Brasil. Para o bem e para o mal. Não existe herança imaculada.

O cheiro de Lisboa, a luz do Sol, os encantadores dias nublados, o Inverno, O outono, as folhas que caem, a comida, os vinhos do Douro, o estímulo intelectual, os amigos, principalmente os amigos.

Sim, Aristóteles estava certo, a amizade é uma alma com dois corpos. Os amigos salvam uma terra devastada. Foi assim nas várias cidades brasileiras onde morei. Em Portugal tive os dois: amigos para consagrar, uma cidade para celebrar.

E o Brasil? O país encerra-se nas belezas naturais, na famosa alegria, no Carnaval, no samba, nas belas mulheres, no futebol, na violência urbana brutal? A existência do país, para mim, continua sendo um milagre. Como conseguimos provocar e resistir a tanta coisa?

Mas os milagres, sim, leitores cépticos, acontecem. Machado de Assis é um milagre, assim como o foram e são José e Joaquim Nabuco (pai e filho), José Bonifácio de Andrada e Silva, Frei Caneca, os jurisfilósofos Pontes de Miranda e Miguel Reale, o filósofo Mário Ferreira dos Santos, o escritor Lima Barreto, o compositor e maestro Heitor Villa-Lobos, o sociólogo Gilberto Freyre, o dramaturgo Nelson Rodrigues, o diplomata e ensaísta José Guilherme Merquior, o poeta Bruno Tolentino, o embaixador e ensaísta José Osvaldo de Meira Pena e alguns tantos outros. É igualmente um milagre que tenhamos hoje no Brasil uma revista de alto nível como a “Dicta&Contradicta”.

O Brasil vive um período de transição bastante interessante. Se na década de 1990 surgiram no cenário público algumas vozes dissonantes da cartilha marxista e de suas de- rivações, a partir do ano 2000 despontou uma nova geração livre dos grilhões ideológicos que foram anabolizados durante o governo militar (1964-1985).

A ditadura maculou três gerações de brasileiros nas esferas política, económica e cultural: a que estava no auge na época do golpe, a que tentava abrir espaço e a que nascia sob os coturnos. Essas gerações foram atacadas de dois lados: por um regime ditatorial e pela dominação cultural e educacional da esquerda de vários matizes. Nas universidades, no meio artístico, no jornalismo, etc., o sujeito que não fosse de esquerda (o que não quer dizer que fosse de direita) era mal visto e rechaçado. Era preciso posicionar-se. Do lado deles.

Essa geração de que falo não se define pela idade. Há os mais jovens e os mais velhos. Em comum têm a ambição de fazer o melhor nas suas áreas sem ter que seguir a cartilha da esquerda e do politicamente correcto, sem esperar (e lutar para) que o Estado ou o governo de plantão seja o principal motor da sociedade. Quem mais se beneficia das misérias brasileiras são o poder de turno e um grupo numeroso de intelectuais, que servem como os legitimadores do satanismo político que assola o país.

Saudades do Brasil? A pergunta repete-se de maneira intermitente. Pessoas conhecidas, novos conhecidos, a dúvida vem acompanhada de um olhar e de um sorriso ansiosos por uma resposta positiva. Alguns, sinto, juro, esperam que eu tire um pandeiro do bolso e comece a tocar um samba e, insulto supremo, sambar. É extraordinário que alguém consiga fazer ambas as coisas ao mesmo tempo. Mas fazem. Impressionante.

E as saudades, Garschagen? Só dos meus, só dos meus. Então, porque voltas agora? Há muito, muito, que fazer por lá. E desconfio que toda a ajuda seja bem–vinda. Se não for, e por garantia, comecei a financiar uma casinha em Oxford. Se houver necessidade urgente, peço asilo político e vou cuidar apenas da família e do Barão, meu bulldog inglês.

Foi muito bom enquanto durou.

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Um homem sem qualidades pode ser um estúpido, ou como Garschagen foi acusado de ser um sionista/fascista imbecil e depravado

Em 1937, Robert Musil, autor do fabuloso O homem sem qualidades, proferiu uma conferência em Viena na qual apresentava publicamente o ensaio “On stupidity” (está no livro Precision and Soul: Essays and Addresses).

A interessante distinção crítica proposta por Musil divide a estupidez em dois tipos básicos: a estupidez honrada ou honesta, baseada na fraqueza de entendimento, e a estupidez inteligente ou elevada, uma doença do espírito baseada no entendimento de que a fraqueza residia em alguns aspectos particulares. Era, segundo ele, a mais perigosa.

Mas também há os outros tipos de estupidez derivados dos dois mencionados e que foram tratados por Eric Voegelin em Hitler and the Germans (Hitler e os alemães, na ótima edição brasileira). Na lista abaixo incluo também os dois tipos básicos:

1- Estupidez clínica: o indivíduo não possui as condições individuais para entender ou desempenhar suas tarefas, embora existam todas as demais condições. A estupidez é a causa da incapacidade.

2- Estupidez como violação da capacidade: quando o indivíduo age com astúcia, violência ou mau uso de confiança num contexto social de ordem e equilíbrio. Seu comportamento boicota-o socialmente.

3- Estupidez como condição opressiva de insuficiência: é verificada com a ocorrência de um ato de abuso em que o agente não domina a articulação que diferencia o problema. Por isso, o indivíduo age num estado de pânico. Uma explosão de insulto irado, por exemplo, é uma demonstração da estupidez do agente.

4- Estupidez honrada ou honesta: é a falta de entendimento, a lerdeza na compreensão, que não inviabiliza outras qualidades pessoais, como a própria honestidade que adjetiva o tipo de estupidez. Apesar disso, a emergência da estupidez é provocada pela ausência de, por exemplo, habilidade ou eficiência (ou ambas). Faltam ao estúpido qualidades de ordem superior e espiritual.

5- Estupidez elevada ou inteligente: é um distúrbio no equilíbrio do espírito revelada na forma de uma arrogância espiritual. Voegelin, em Hitler e os alemães, enquadrava esse tipo de estupidez como uma doença espiritual no sentido da pneumatologia, não da psicopatologia (na expressão de Schelling, que o austríaco, aliás, embora atribuísse o crédito, não se lembrava de onde a teria extraído). Para Musil, a estupidez elevada era a verdadeira doença não apenas da cultura, mas uma perigosa doença da razão que colocava em risco a própria vida. “(…) não há absolutamente nenhuma ideia significante que a estupidez não saiba empregar”.

Há algumas semanas venho pensando se seria possível um indivíduo reunir partes mais ou menos intensas de cada uma dessas categorias. A princípio, pode soar exagerado e até caricatural. Mas algumas pessoas são realmente surpreendentes e não se pode duvidar da capacidade de superação.

Em julho de 2007, reproduzi no post Paul Johnson: “O terrorismo internacional (…) é um problema especifico e identificável em si mesmo” um texto do historiador inglês publicado no Estadão em 7 de outubro de 1979.

Há algumas semanas recebi e deixei cozinhando na caixa de spam o gentil comentário:

ESTE BLOG É DE UM SIONISTA, FILHO DO ESTADO TERRORISTA DE ISRAEL | jos.do@oi.com.br | jos.dooi.com.br | IP: 189.104.123.97

ESSE BRUNO GARSCHAGEN, É UM JUDEU IMBECIL, MANIPULADOR DE FATOS HISTÓRICOS, FALANDO EM CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL, SUJEITA A TERRORISMO E OUTRAS BABAQUICES.

A CIVILIZAÇÃO JUDAICO-ROMANA-CRISTÃ, E SEUS MONSTROS BÁRBAROS, COMETERAM OS PIORES CRIMES E GENOCÍDIOS CONTRA MUITOS POVOS,TENDO INSPIRADO A MENTE TERRORISTA DE EUROPEUS E ESTADUNIDENSES, COMO BUSH E OUTROS VERMES, BESTAS-FERAS DE DIREITA QUE HOJE GOVERNAM O OCIDENTE.

TAMBÉM, O TERRORISMO ESPALHA-SE NO MUNDO, POR INFLUÊNCIA DA MENTE JUDIA, ATUANTE EM TODOS OS LUGARES, COM SUAS MAÇONARIAS E OUTRAS SEITAS SECRETAS, CONSPIRANDO, SEGREGANDO, FOMENTANDO GUERRAS, GOLPES E REVOLUÇÕES.

LEMBRAM O JUDEU TERRORISTA ALBERT EINSTEN, O FÍSICO QUE INSTIGOU O GOVERNO AMERICANO E DEU TODO O APOIO AO PROJETO MANHATAM DOS EUA, PARA PRODUZIR BOMBAS ATÔMICAS E JOGAR NAS CABEÇAS DA POPULAÇÃO CIVIL DO JAPÃO ?
NÃO LEMBRA DOS GOVERNANTES AMERICANOS TERRORISTAS QUE JOGARAM BOMBAS NAPALM, MATANDO INDISCRIMINADAMENTE INOCENTES NO VIETNÃ DO NORTE?

E OS TERRORISTAS DA CIA QUE CONSPIRAM E MATAM POLÍTICOS LEGALMENTE ELEITOS, CHEFES DE ESTADO E AUTORIDADES QUE DISCORDAM DA AGENDA DE DOMINAÇÃO DO IMPERIALISMO AMERICANO ?

E OS TERRORISTAS DO MOSSAD ISRAELENSE, QUE PRATICAM ASSASSINATOS NO MUNDO INTEIRO?

BRUNO GARSCHAGEN (NOME DE JUDEU IMBECIL): A OPRESSÃO, A INGERÊNCIA NOS ASSUNTOS INTERNOS DE OUTROS PAÍSES, A EXPLORAÇÃO, A PILHAGEM, A VIOLÊNCIA NA TERRA ALHEIA, INEVITAVELMENTE, SEMPRE TERÁ UMA RESPOSTA, FRUTO DA ANGÚSTIA DOS INJUSTIÇADOS. E ISTO NÃO PODE SER CARACTERIZADO COMO TERRORISMO, POIS, QUEM MUITAS PEDRAS JOGA, UMA LHE CÁI À CABEÇA, A EXEMPLO DO 11 DE SETEMBRO. ALIÁS, OS TERRORISTAS AMERICANOS DA CIA, JÁ TINHAM FEITO MUITO ANTES O SEU 11 DE SETEMBRO NO CHILE (1973), AJUDANDO MILITARES GOLPISTAS A MATAR DENTRO DO PALÁCIO O PRESIDENTE SALVADOR ALLENDE, INCLUSIVE ASSASSINANDO MILHARES DE CHILENOS…

A DEPRAVAÇÃO DO BRUNO É A SUA MENTIRA JUDIA, EM BLOG SIONISTA/FASCISTA.

É a primeira vez que sou chamado de imbecil. É a primeira vez que sou chamado de judeu. É a primeira vez que meu nome é classificado como o de um “um judeu imbecil”. Mas não é a primeira vez que sou acusado por algo escrito por um autor que não eu. Bastava ter a paciência de um monge beneditino (a dos tibetanos, como sabemos, foi para o espaço há muito tempo por culpa do governo chinês) e explicar ao rapaz que, bom, o autor do texto era Paul Johnson e a conversa se encerrava por aí. Ou, simplesmente, dizer, bem, que as informações do comentário são equivocadas e a opinião idem. Ou que, bem, não tive o prazer de nascer judeu, sou batizado na igreja católica e a família Garschagen, criada em 1383, era formada por luteranos.

Mas o comentarista me chama de depravado. É a primeira vez que sou chamado de depravado. Depravado? Eu nunca, nunca, escrevi estadunidense, a não ser agora à guisa de representação.

Eu nunca, nunca, acusaria a civilização judaico-romana-cristã (ufa!) de ter cometidos os piores crimes e genocídios.

Eu nunca, nunca, diria que as bestas-fera da direita hoje governam o ocidente porque não há gente da direita governando o ocidente, nem a maioria dos países ocidentais, sequer uma pequena parcela.

Eu nunca, nunca, por mera incapacidade ficcional, afirmaria que a influência judia espalha o terrorismo no mundo.

Eu nunca, nunca, acusaria Albert Einstein de judeu terrorista e de haver instigado o governo americano.

Eu nunca, nunca, por mera incapacidade literária, escreveria uma frase contendo a expressão “a angústia dos injustiçados”.

Eu nunca, nunca, por mera incapacidade lógica-estrutural, conseguiria justificar o 11 de setembro sob a ótica dos terroristas.

Eu nunca, nunca, seria capaz de “absolver” o governo de Allende pelo mal causado ao Chile nem de legitimar a ditadura do Pinochet por haver contratado os economistas da Escola de Chicago para arrumar a economia do país.

Eu nunca, nunca, em hipótese alguma, poderia unir por uma barra sionismo e fascismo como se fossem uma e mesma coisa.

Eu apenas seria capaz de expor a miséria e a estupidez de um comentarista.

Não será o primeiro. Não será o último

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Venezuela continua refém do presidente

O governo de Hugo Chávez fechou 34 emissoras de rádio na semana passada. Estão prestes a serem fechadas mais 206. Chávez diz que não fechou as emissoras, mas recuperou-as para o “povo” ao tomá-las da “burguesia”.

O diretor da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), Diosdado Cabello, foi mais longe ao ameaçar os empresários e todos os trabalhadores das emissoras, portanto, gente do povo:

“Senhores, tenham muito cuidado com o que fazem. Armaram um escândalo pelas primeiras 34 emissoras, um escândalo midiático, não nas ruas, pensando que o governo vai recuar. Não, camaradas. Nós seguimos adiante, aprofundando a revolução e não aceitamos nenhum tipo de chantagem”.

É a mentalidade revolucionária por excelência: a vítima é convertida no autor do crime e o criminoso se desloca para o papel de vítima; a verdade é acusada de falsidade, a mentira transformada em verdade.

E por quem dobram os sinos de Chávez? Não para o povo venezuelano. Nas empresas nacionalizadas explodem os conflitos trabalhistas porque os diretores nomeados pelo governo não conseguem cumprir as promessas feitas aos funcionários com o dinheiro da população que sustenta em parte tais empreendimentos. A informação é do empresário Guillermo Zuloaga, dono da Globovisión, a única TV independente que ainda resiste à pressão e violência do governo.

“Como as companhias estão todas fracassadas economicamente, eles agora não conseguem cumprir o que foi combinado. Também somos os únicos a entrevistar acadêmicos e pesquisadores que não compactuam com o governo”, disse Zuloaga numa entrevista à revista Veja desta semana.

Ontem, a sede da Globovisión foi invadida por um grupo armado que lançou no edifício bombas de gás lacrimogêneo ferindo uma policial e um segurança. Imagens do circuito interno de segurança mostram que um dos criminosos é Lina Ron, dirigente do partido UPV, um dos partidos de apoio ao governo Chávez.

Está cada dia mais difícil para os venezuelanos encontrar uma solução democrática para conter o presidente, que usa os instrumentos da democracia para solapá-la.

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